sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

IV - Os Nogueira de Serrinha - Bahia

Luiz Osório Rodrigues Nogueira.    

     Quarto filho de Antonio Rodrigues Nogueira e Miquelina, nascido aos 4 de setembro de 1882, Luiz Osório foi criado e educado informalmente juntamente com seus irmãos ali mesmo em Serrinha, onde passaria toda a sua vida. Desde cedo estimulado ao trabalho pelo pai Tabelião, Luiz Nogueira ainda jovem, já era proprietário de uma casa comercial, misto de armazém e padaria. Enquanto desempnhava sua função viria a conhecer a jovem professorinha Áurea Hermínia, com quem se casaria unindo dessa forma em 11 de julho de 1903, duas das mais importantes e tradicionais famílias serrinhenses, os Rodrigues Nogueira e os Araujo Ribeiro.


    Além de comerciante, tornou-se um próspero fazendeiro possuidor de inúmeras propriedades rurais, onde inclusive chegou a constituir um dos maiores rebanhos de caprinos de toda a região, juntando toda a criação por suas doze fazendas dentre elas as fazendas “Catita”, “Poço Comprido”, “Catete”, “Jurema”, “Poço da Volta”, “Quivungo”, “Mucambo”, “Gavião”, “Cavaleiro”, “Gado Bravo”, “Gameleira” e a que mais estimava, a bela fazenda “Tanquinho”, todas no semi-árido sertão baiano.
     Administrador e Urbanista nato, em 1º de janeiro de 1916, Luiz Nogueira assume pela primeira vez, atendendo aos apelos de seu pai, ao  cargo de Intendente Municipal, sendo nomeado pelo então governador José Joaquim Seabra. Torna-se assim o 8º Intendente de Serrinha.
     Durante sua gestão promove a urbanização do principal espaço urbano da cidade, a praça que mais tarde levaria seu nome. Serrinha passa assim a ser a segunda cidade do interior baiano dotada de uma praça pública totalmente projetada e urbanizada. Um belo chafariz importado da França, com destaque para a figura de um garoto cavalgando um jacaré, postes com iluminação a gás de acetileno, a construção de um magnífico coreto, a exigência da construção de platibandas nas casas, além da canalização de água para as proximidades da praça principal, são algumas das principais realizações que marcam sua passagem pela Intendência.


     O prédio do Paço Municipal também recebe atenção especial, tendo reformado sua fachada dando-lhe a merecida imponência fazendo colocar a figura de uma grande águia americana com as enormes asas abertas como que a estimular o povo serrinhense a vôos bem mais altos, e ainda em destaque na parte central da fachada, manda aplicar as coloridas armas da república. Este Paço Municipal fora instalado no prédio cuja construção havia sido iniciada na gestão do primeiro Intendente (de 1890 a 1893) Marianno Silvio Ribeiro, tio avô de Luiz, no mesmo local onde havia a casa de Bernardo da Silva, antigo proprietário das terrras onde surgiu Serrinha e primeiro líder político do local.

    
     Luiz fundou, ainda em sua primeira gestão, a “Sociedade Philarmônica 15 de Novembro”, banda de música que só existiria até o ano de 1920. Como na cidade já havia a “Sociedade Philarmônica 30 de junho”, em homenagem à data de elevação da vila à condição de cidade, houve um grande movimento dividindo as opiniões dos cidadãos serrinhenses. 
     Com o término do governo de J. J. Seabra, no ano seguinte à sua nomeação, seus adversários ficaram na expectativa do encerramento de sua gestão, porém ao assumir o governo o Sr.  Antonio Moniz Ferrão de Aragão, este o reconduz ao cargo para desespero de seus adversários. Passa então Luiz a ser o único Intendente na história de Serrinha, a exercer o cargo por duas gestões consecutivas, sendo que esta segunda, se inicia em 1º de Janeiro de 1918 e iria até 12 de janeiro de 1920.
     Durante a sua 2ª gestão como Intendente, Luiz pôde dar continuidade aos trabalhos de modernização e embelezamento urbano da cidade, dedicando-se então a outros locais fora do centro. Uma das obras visava inclusive beneficiar diretamente a população mais carente, pois mandou construir um grande tanque de cimento na parte mais alta da velha praça do Castelo, onde hoje está situada a nova igreja da cidade.
     Abandonando a carreira política, aos 13 de dezembro de 1922, após submeter-se a concurso público, é nomeado  Agente-Fiscal do Imposto de Consumo para o interior da Bahia, recomendado por Ruy Barbosa ao então Ministro da Fazenda, que atende assim ao pedido de seu amigo pessoal o irmão de Luiz, Miguel Nogueira.

    

4 comentários:

  1. É uma pena que o poder público não preserva o patrimônio histórico de Serrinha.

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    1. Grato por sua manifestação meu caro. Na verdade essa não é uma "qualidade" apenas dos administradores serrinhenses. O povo brasileiro de um modo geral, raras exceções, ignora ou nem dá o menor valor às suas prórpias origens.

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  2. Olá, Marcos,

    Estudo a escrita e leitura de mulheres dos Sertões dos Tocós. Já tenho alguns livros manuscritos de uma poetisa de Ichu do século XIX. Gostaria de saber se as mulheres mais antigas de tua família não teriam deixado textos manuscritos (cadernos de poesia, diários, etc) que pudessem me ajudar em minha pesquisa e, ademais, não gostaria de proclamar injustamente que a poetisa que estudo tenha sido a primeira desses sertões. Se puder me ajudar, por favor, entra em contato pelo e-mail: jadionealmeida@gmail.com .

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    1. Meu caro professor.
      Infelizmente não tenho notícia de que algumas de minhas tias, eram cinco, tenha deixado algo parecido. São todas elas já falecidas e não me deparei com algo assim ao recolher dados para o livro genealógico dos Nogueira. aproveito para parabenizá-lo nesse meritório trabalho.

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