sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Cine Curitiba, meu "pulgueiro" preferido.

Q

uem me conhece sabe que passei a infância e a maior parte da adolescência em Curitiba, na terra de origem materna e por essa razão aqueles com os quais convivi cerca de quarenta anos na Bahia, até pensam que sou curitibano de nascença. Na verdade nasci em São Paulo em 1944, apenas por acaso, pois meus pais estavam viajando para o Paraná aonde isso deveria acontecer caso lá houvessem chegado a tempo. De minha parte considero-me mais um “curibaiano”, mas essa é outra história, já que é outro também o assunto a seguir.
A razão de haver escolhido esse tema para este último post de 2010 está no desejo de registrar aqui mais uma curiosidade para aqueles que não viveram os anos 50 e 60 na Capital paranaense, assim como para os que em seus lugares de origem tiveram apenas os chamados “cinemas de rua” como a forma de entretenimento do gênero, antes da chegada da televisão. Nos dias de hoje existem quase tão somente os que formam essas tais fábricas de pipoca denominadas de “multiplex”, tão despersonalizados e praticamente em todos os shoppings, diferente da época em que aquelas casas de espetáculo formavam a elegante “Cinelândia” das grandes cidades.
Av. Luiz Xavier (a menor do mundo) e os cines Avenida, Ópera e Palácio.

Podemos considerar que os cinemas nas décadas de cinqüenta até o final da de sessenta, em particular os de Curitiba, foram os principais reformadores de costumes e hábitos provincianos dos curitibanos de todas as idades. Mesmo não sendo versado em antropologia posso afirmar que em relação aos gêneros de filmes seriam três os níveis de interesse, dependendo da idade das pessoas naquela época, sem falar em nível cultural. Os cinemas existentes, conforme sua programação, pareciam influenciar dessa forma e de acordo ainda com a fase da vida do indivíduo, tanto no comportamento quanto no hábito de cada um.
Indo direto ao assunto, quero dizer que, a garotada até os dez, doze anos, preferia aqueles cinemas cuja programação lhes proporcionava apenas diversão sem qualquer comprometimento com enredos, bastava tão somente que o conteúdo dos filmes que fossem vistos tivesse muita ação, misturando lutas com pólvora, e comédia. De resto ficava a torcida ruidosa para que seus heróis abatessem de pronto aos bandidos, quase sempre recebendo como recompensa um ardoroso beijo da indefesa mocinha que havia resgatado, gesto que era saudado sempre com uma gritaria divertida.











Mas nem só os heróis com super poderes e futuristas,  atraiam a piazada para o Curitiba. Aqueles considerados meros mortais também faziam sucesso.



Johnny Weismuller foi o TARZAN inesquecível, aqui com Jane, Boy e Chita.

Mais tarde surgem Lex Barker e em Cinemascope - Tecnicolor aparece Gordon Scot

Mesmo "fortão" Gordon não era do gosto da garotada
 parecia manter um antipático e  hollywoodiano sorriso na boca o tempo todo.
Porém o fato que marcou e que apenas aparece em parte na segunda foto,
foi o desespero do ator ao se ver realmente esmagado pela gibóia. É pena que tenham
cortado a parte da imagem na qual os assistentes de filmagem estão correndo para acudi-lo.

Velho e Inesquecível Cine Curitiba

Como se vê, tinha o mesmo nome da cidade e estava localizado na Rua Voluntários da Pátria, entre a Praça Osório e a Rua Emiliano Perneta, ao lado do colégio feminino Instituto de Educação, bem próximo da “Cinelândia curitibana”. Era brutal a diferença entre este e os demais cinemas do centro, principalmente aos domingos. Considerado por muitos como “o mais poeira de todos os cines-poeira”, pela meninada era o “pulgueiro preferido”, por ter uma programação que invariavelmente agradava a todos.

Mudava de cartaz todas as terças, mas sua maior platéia era mesmo a das tardes domingueiras, principalmente porque nesse dia acorriam ao Curitiba meninos de todos os bairros para se reunirem ruidosamente na frente do cinema, alguns sentados nos muros do Instituto de Educação, com a finalidade de comercializar gibis semi-novos ou antigos. Espalhavam-se pela rua e trocando, vendendo e comprando as mais variadas revistas em quadrinho, iam se preparando para adentrar ao cinema tão logo se aproximasse a hora do começo da sessão.
Programação variada de quatro horas de duração, tinha início precisamente as 14:00 horas, principiando com um telejornal, trailers da programação da semana seguinte, algum desenho animado, dois filmes completos e por fim um episódio do seriado que estivesse em andamento. Tudo isso tinha que ser exibido em quatro horas apenas o que causava a necessidade dos projetores serem regulados em uma velocidade alguns pontos acima do normal, fazendo com que tanto vozes quanto movimentos dos atores fossem um pouco aceleradas.
Mas isso pouco importava, prncipalmente quando o assunto eram as comédias mais queridas e inocentes daqueles tempos.





No Curitiba dois filmes também marcaram época, um pelo inimaginável terror que seria levado na imaginação da garotada para suas casas e outro pelo drama de uma região tão distante das realidades sulistas. A história do polêmico (no sentido se heróis ou bandidos) grupo de cangaceiros de Lampeão e Maria Bonita.

Porém os tempos ainda era das diligências e os westerns americanos, ou apenas "os filmes de cáubóis", faziam vibrar a platéia com as batalhas entre mocinhos, índios e bandidos.


O eterno Rei dos Cowboys Roy Rodger e seu belo cavalo Trigger
sua companheira Dale Evans e o impagável Gabby Hayes

Ao fim da sessão, a garotada não se furtava em provocar grande barulho levantando e batendo os anatômicos, porém desconfortáveis, assentos de madeira que deixavam para voltar no domingo seguinte, ao indefectível som de algum boleróide cantado por Nelson Gonçalves e lá vinha a tal “Deusa do Asfalto” acompanhando a bagunça.
...e assim terminava mais um divertido domingo no inesquecível Cine Curitiba.


(fotos e cartazes via Google search e Wikipédia.org)





2 comentários:

  1. Gostei bastante desse post! Gostaria de ver mais coisas nessa linha!

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    1. É só continuar visitando outras publicações, meu caro. Grato por nos visitar.

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